18 de mar de 2011

Cat'sCity








Antes dos Blogs e páginas em redes sociais, os Quadrinhistas independentes utilizavam um outro veículo de expressão, os Fanzines.
Entre os últimos que fizeram sucesso antes dessa prática cair em (quase) desuso, estava o zine Cabal, editado pelo meu amigo Clodoaldo Cruz da cidade de Jaboticabal, e que circulou mundo a fora com suas páginas de quadrinhos de vários gêneros, recebendo colaboração de vários nomes do quadrinho underground e de outros tantos consagrados.
Foram nas páginas do Cabal que pude colaborar com uma série em quadrinhos intitulada Cat’sCity (sim, escrita dessa forma) que narrava as reflexões de um Assassino Profissional sem nome, em uma cidade obscura e falida, onde seus habitantes eram humanóides com aparência de Gatos.
Logo na primeira HQ, o personagem caiu no gosto dos leitores e ganhou versões de vários desenhistas talentosos. Foram tantas “fan-arts” que fica difícil lembrar de todos, mas tenho que relatar que entre eles estava o grande Mozart Couto, do qual muito me orgulhou ver meu personagem retratado por seu traço.
Com o advento da internet, o mundo ficou menor, e muita coisa que não conhecíamos acabou chegando aos nossos olhos. Antes do zine Cabal se encerrar, recebi uma mensagem do amigo quadrinhista Laudo Ferreira, no qual havia descoberto em um site informativo de quadrinhos europeus uma série de HQ chamada BlackSad, onde havia um personagem muito semelhante ao meu Gato Assassino. Na época eu nem mesmo tinha um computador, mas fui logo atrás de me informar sobre o que se tratava esta série. Mas, ao invés de ficar decepcionado ou até mesmo revoltado com a situação, acabei me tornando admirador do desenhista Juanjo Guarnido e do escritor Juan Diaz Canales, dupla espanhola que criou o personagem detetivesco da série, e até senti um certo orgulho de criar algo de semelhança com aquele premiado e belíssimo trabalho. Obviamente, haviam diferenças entre ambas, BlackSad era uma HQ de época onde os personagens eram vários tipos de animais humanizados, Cat’sCity era contemporânea, e todos os personagens eram gatos com aparências humanas. Mas era no visual do personagem central e principalmente no clima sério, violento e noir das estórias que estava a associação imediata. Resolvi encerrar Cat’sCity, e a última HQ desenhada por mim foi uma alucinada parceria com o desenhista Edgar Franco, onde os dois estilos distintos de narrativa e desenhos acabou gerando um dos mais legais momentos da série.
Ainda sinto saudades do personagem. Até tentei mudá-lo de ambiente, colocá-lo em uma cidade de outro nome, num futuro sombrio ou até interagindo com humanos de verdade. Mas prefiro deixá-lo na memória, minha e dos amigos que também o admiravam.

Reno.

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